Wednesday, September 20, 2006

o bunda larga

cybercafé horário de pico, hora de ponta, rush. gritinhos em colméia denunciam proximidade de colégios, muito mais do que anunciam fardas. abelhinhas no cio, indômitas para acessar o orkut, a comunidade de relacionamentos que é o mais estrondoso sucesso em matéria de rela-rela por ratos.

em meio a tanto mel, e tantos ferrões, ele está também a espera por um computador. mas a sua comunidade é outra. seu relacionamento é aquele dos dedos tamborilando à seco, no chek-to-chek do toma lá dá cá. briefing do que volta e meia vai e vem. e da criação que vai e vem e volta. e volta, e volta.

a mais bonitinha, olhando-o de cima a baixo interpela, e com sua voz de coxas em pelinhos leiauta: — o senhor tá na vez ?

não é por nada não. mas aquele senhor não fez plug in mim nem via usb, disfarçou. mas percebeu fire-wire, e em nada virtualmente, que seu hardware denuncia que o tempo pra ele passou. ainda que rode um software onde seu coração ainda bata teen. tão teen. teen, teen, teen. e percebeu meio sem graça que estava ficando fora de linha. e que muito em breve as teens já não lhe darão nem bom dia. quanto mais bundinha. no máximo, doarão. por mais que isso lhe doa. mas aí, ele não aceitaria, para não ficar com cara de disquete, logo ele metido a velox.

— ei! depois daquele senhor o próximo computador é o meu, tá? pelinhos na coxa, cheia de sardas, bits e bites, scaneou até a calcinha, senhor da informação. ela tão digital e ele, agora, sexo analógico ?

1 comment:

Re said...

hahahahah Celso,
Que texto ótimo... entendo direitinho isso. Vejo os meninos do meu prédio aqueles da moda dos cabelos de cachinhos... falo bom dia... e respondem, bom dia tia.... quero morrer... mas... envelhemos com felicidade. bjs