Wednesday, September 27, 2006

da falta de sorte, tiquim

a primeira vez é para sempre a primeira vez, não importa como ou do que seja. é a primeira vez. da primeira a última.

dá frio na barriga, garganta seca, zumbido no ouvido, coração dispara. em muita gente, dá vexame, dá caganera, dá fogo pagô. mas vira essa bôca pra lá. não ia ser comigo que isso ia contecer não, pensou zétiquim. não ia fazer da primeira vez , uma cagada da última, assim na hora de rombar, se tiver de ser, furo mais de uma, dou duas três mas não sem tirar de dentro.

fungou, segurou no pau, ainda que a coceira fosse no cu, e mandou ver, postado na esquina escura de cúmplice e na calçada armadilhada de buracos. um metro e cincoenta naquela situação era diferença que ia fazer supresa aumentando metro e meio pra corpanzil. e tem mais: aquela porra de tênis esgarçado roendo dedo mindinho agora é chuto na parede de raiva acumulada.

só voz afinou, na hora que se vez vulto vistoso na frente do vulto que encolheu e empacou. segurou o colar fazendo gangorra com estilete no vulto que ria do nelvoso que ficou. tecido fino de vestido embuchado sangrou levemente piando grosso na veia da garganta. ferrugem abrindo buraco, nem ví a cara da madame? sei lá, era uma coisa véia que té peidou no ato do movimento brusco e serviço completo. colar na mão junto ao corpo, lambeu a cria.

correu mais que a sombra, postes de menos na calçada facilitaram a fuga, menos um putaqueopariu plantado bem ali no meio da testa. zonzeou mas não caiu, cabo caiu, mas e daí? estilete que era sargento já tinha desertado.

horas mais tarde, noticia quente de corpo frio. frei emanuel, que tantas vezes tinha salvado zétiquim de muita surra fora achado com estilete rombudo na pança que se ria muito com zétiquim que perguntava se naquela barriga tinha menino gordo.

menino zétiquim olhou pro terço na mão e ainda sem saber se era virgem ou não pensou que sua reza ainda era pura pra acompanhar alma de frei emanuel que agora sabia zétiquim não carregava outro menino no bucho que não ele.

3 comments:

Alex Camilo said...

A ideia é boa, muito boa, gostei bastante no conjunto. Mas achei o quarto parágrafo um tanto confuso, principalmnte no primeiro e segundo período. Creio que o jogo de palavras e as aliterações destoaram um pouco da crueza do restante do texto, causando uma certa confusão. achei também que essa frase "estilete que era sargento já tinha desertado, na mão terço do carmelita encarnado." acabou tirando um pouco da surpresa do desfecho.

Um abraço

erico said...

notei uma ambiguidade (intencional?) no texto: os primeiros parágrafos possuem conotação sexual. comprovado pelo estilente entrando na madame?

celso muniz said...

acho que o alex tem razão. perdi o rumo da crueza, ao escorregar nas aliterações típicas do mau redator publicitário, que insiste em atrapalhar o aprendiz de escrivinhador. vamos reescrever e consequentemente eliminar.

quanto ao comentário do erico, sim. e ao ser intencional, apesar da pulsão da violência ter sempre conotações sexuais(para os reichianos),não acrescentou efeito de peso a narrativa, creio.

devo registrar que comentários de dois leitores ao mesmo texto, já começa a transformar isto aqui em sarau literário. mais algum e já se torna comício.

obrigado pelas leituras e observações. finalmente, prometo-lhes que tentarei por-lhes a salvo de algum eventual personagem paranóia-killer, quiçá alter-ego do escritor, daqueles que finge estar a procura de motivos para estripar alguém.

nos veremos então em alguma rua escura de paralepípedos esfaimados.