a boa notícia é que a ficção é realidade. a má notícia é que a realidade não passa de ficção se você não é personagem.
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Monday, July 09, 2012
almoços de domingo
já algum tempo, nos domingos, almoço em paz. mcchickens. genérico que seja ou original. e pronto. de sobremesa, café em copo e vontade de fumar. antes da saída, em meio as meias mordidas, altura em que me lembro odeio maionese, de soslaio miro a testa franzida das atendentes e cozinheiras que penso em reclamações - me consegue um pouco mais de ketchup ou vai dizer que só tem mostarda? - não sei contentes em trabalhar aos domingos. também dariam graças a deus? que elas complementam com muito sachês de molho fora, aquele filho da puta, de trabalhar aos domingos para não ter de almoçar em casa?
domingos tem um certo ar de prisão após a revista da semana. foram-se as armas e as drogas. resta o almoço em família para a gente se embriagar de crime. de sobremesa o faustão. a sorte é que a pena não é perpétua. mas é longa como o crochê das mágoas da vovó sobre as memórias do vovô que enfezado se mandou de casa e foi morrer de infarto num puteiro enfiado em pleno cu de uma adolescente. o retrato do meu vô foi retirado então da parede e naquele exato lugar ficou a marca, onde o bolor do mofo lembra o esperma da vida que ele despejou fora para não morrer ensimesmado dentro de casa como paio, um chouriço, outra denominação. as sobras das conversas do almoço de domingo todo mundo já sabe como reaproveitar. são servidas fritadas ao azedo que requentadas podem durar até a terça feira. isso se as vizinhas não aproveitarem o óleo para feitura do empadão de galinha com o destino de suas filhas, que diga-se de passagem são uns cu de bostas.
almoço fora agora todos os domingos. mas do empadão ou da fritada, elas não escapam. nem eu. nem você.
Wednesday, October 11, 2006
le petit prince
não tinha mais que 12 anos. pequenos furtos. drogas pedem passagem. dezenas de brigas e centenas de porradas. lembranças tenebrosas de varias estadias na febem, a não ser uma: figura de livro que não sabia ler. menino louro montado em cima do mundo. isto ele queria ser. quem não quer ser? dono do mundo, quando se está cada vez mais por baixo?
não podia ver um cacetete que se transfigurava num monstro. de resto era manso, gatunozinho safado. boca de meia tigela. batia-se o pé e saia em disparada. mas desta vez não deu. beco sem saída, nem precisaram atirar.
e assim foi. pediram para manerar, apontar armas prum menino pra que? então tome coturno nos cornos, cacete no fígado, chave de braço, gravata pretexto para projeção de queixo bem na quina da calçada. zonzo de véspera mal sentiu o baque. quase-morto, serviço feito, meganhas cutucam o quase pacote pra ver se o bicho já era. não se mexe e o positivo é sinal de quase pronto pra ser enrolado como presunto. policial ainda chacoteia com o magreza do moleque, passando-lhe ponta de cacetete na bunda, gargalhada aprofundando a dedada.
ressucitaram o animal. ainda de costas, faca de sapateiro no meio do pescoço sem farda. os outros mal, tiveram tempo de ser virar. bala com bala, levou 15, chutou seis de primeira. os dele sem sobrevientes. os deles, levou no braço, na perna, na barriga e na coxa, puro azar, aquela artéria não devia estar ali.
ainda aguentou até de manhãzinha quando os primeiros raios de sol deram-lhe a ilusão de ver o principezinho surgindo por cima do sol. desmaiou, morreu, ressucitou. teve um fim que sugeria um novo começo. mas de morto morrido última página virada.
em seus sonhos de cadáver uma frase ainda incompreendida: você é responsável por tudo aquilo que cativa.
não podia ver um cacetete que se transfigurava num monstro. de resto era manso, gatunozinho safado. boca de meia tigela. batia-se o pé e saia em disparada. mas desta vez não deu. beco sem saída, nem precisaram atirar.
e assim foi. pediram para manerar, apontar armas prum menino pra que? então tome coturno nos cornos, cacete no fígado, chave de braço, gravata pretexto para projeção de queixo bem na quina da calçada. zonzo de véspera mal sentiu o baque. quase-morto, serviço feito, meganhas cutucam o quase pacote pra ver se o bicho já era. não se mexe e o positivo é sinal de quase pronto pra ser enrolado como presunto. policial ainda chacoteia com o magreza do moleque, passando-lhe ponta de cacetete na bunda, gargalhada aprofundando a dedada.
ressucitaram o animal. ainda de costas, faca de sapateiro no meio do pescoço sem farda. os outros mal, tiveram tempo de ser virar. bala com bala, levou 15, chutou seis de primeira. os dele sem sobrevientes. os deles, levou no braço, na perna, na barriga e na coxa, puro azar, aquela artéria não devia estar ali.
ainda aguentou até de manhãzinha quando os primeiros raios de sol deram-lhe a ilusão de ver o principezinho surgindo por cima do sol. desmaiou, morreu, ressucitou. teve um fim que sugeria um novo começo. mas de morto morrido última página virada.
em seus sonhos de cadáver uma frase ainda incompreendida: você é responsável por tudo aquilo que cativa.
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