Tuesday, October 01, 2024

quase na esquina do teu bairro

o homem coxo, no seu carrinho de rolimãs, entalou-se na falta da tampa do bueiro quase na esquina da rua dos regenerados. o coletivo urbano para desviar do seu esmague, trombou de frente com a carroça movida a cavalo dado não se olha dos dentes, suspendendo tudo para o alto e causando sério acidente. o cavalo tendo engolido a buzina a ar de caminhão, acessório orgulhoso do dono da carroça, soava como uma clarinete rouco, enquanto o dono agonizava no chão sem ar.

entre os envolvidos, passantes, autoridades e curiosos, relinchos de toda parte e sorte, incluindo os dos passageiros dos ônibus, que dividiam-se entre xingar o homem coxo, o cavalo, seu dono e o motorista, havendo divisões nas observações que teria sido melhor passar por cima do meio homem, preservando inteiro dono e o cavalo que não tinham absolutamente nada a ver com isso, apesar de transitarem fora das vias normais.

moral da história: a destino dado não se abre os dentes.

Wednesday, June 28, 2017

reflexões dos já agora com poucos reflexos

frente ao espelho, observo cabelos brancos com seus arrepiados de vitória , e exclamo: well, as coisas estão clareando.

juquinha, meu alter-ego de catupiry, não se contém e desembesta: foooda-se, vai ser otimista assim na puta que te pariu!


Foto de Biblioteca Azul.

Sunday, January 22, 2017

um conto da hora ? (a modéstia me impede de dizer que sim ou que não)







levei pilhinha no bolso. bazar de mercadorias com pequenas avarias – desde quando uma avaria é pequena? sentimental então é rombo - ; nada que me interessasse de imediato. mas pera ai? aqueles relógios de parede grandes e coloridos e olha o design dos números com cara de macarrão derretido. gostei. avarias, bem, vamos lá testar. um dois três, testando, não funciona, lascado trincado, vidro solto, funciona não funciona, funciona. oba! já levei o azul. mas tem verde e laranja trator. vamos testar. um dois três testando. funciona não funciona. ponteiro solto, máquina solta, botões soltos, uma mais lascado do que o outro. acho que não vai dar. deu. primeiro o verde, depois o laranja. no caixa a moça avisa: - cê sabe que as máquinas tem um probleminha, tem de trocar. no brasil aprende-se que probleminha é eufemismo de problemão. é como chamar bundão de bundinha(isto é um eufemismo reverso, minha senhora) achando que a dona da bunda não vai ficar incomodada. sabe como é: se você chega dizendo que a mina tem um bundão ela senta mão na tua cara porque você chamou ela de gorda. mas se disser que ela tem uma bundinha ... leva um tapa na cara porque ela acha que você tá dizendo que ela não tem bunda, logo ela com aquele bundão enorme.
mas ai diante do probleminha, eu, todo esperto, disparo: na-na-nina. estão funcionando eu testei, eu trouxe a pilha, me achando o máximo, como todo otário, que se desmancha com o ar de desdém da moça que dispara: - ah! É, bem eu Tô avisando, não tem troca.




chego em casa, e radiografo as paredes. o azul no quarto, não que azul seja de rapaz, é que azul lembra céu, tranquilidade, enfim, o que é bom para o sono.
no corredor o laranja, tipo semáforo, que é para ser visto de longe e alertar que depois dele vem o vermelho do atraso. e o verde? nada ver com as verduras, na lateral da cozinha.
mas pera ai. hora de dormir e sobe o ruído de uma catraca, de onde será que vem este ruído de tortura que parece comprimir sabe-se lá o que de quem? do relógio azul. pombas! no som ambiente do bazar, não dava para perceber. mas aqui na tranquilidade do quarto, soa como mastigado de amendoim. e os outros, nada, silenciosos e cumpridores irretocáveis na sua função de medir o tempo. então é simples: troco os relógios e acabou-se o probleminha(será que a moça do caixa tinha um bundinha ou um bundão, penso, pano rápido, enquanto troco o azul pelo verde.


e vamos aos sonos dos justos com tudo resolvido. súbito acordo no meio da noite, e nem um barulhinho, mas vê-se que os ponteiros estão movendo a catraca da vida muito embora você não perceba, salvo se for este o foco, o que não é o caso de quem queria dormir como um bebe – de onde raios tiraram esta expressão já que bebes não dormem parecendo mais uma catraca ensandecida com tanto choro e esperneio?
fui dormir e você me pergunta, dormiu bem? após trocar o azul pelo verde? e eu lhe respondo que não fiz  troca. é bom acordar e em vez de silêncio total ouvir algum barulho de vida que não seja o seu, ainda que seja o da catraca de um relógio de bazar com produtos com pequenas avarias.

são estas pequenas avarias, que não emitem sinais de vida fácil, que afinal vale a pena viver com e por elas, ainda mais que dormir com o silêncio total abafa qualquer possibilidade de vida para além do sonho da morte.




Saturday, February 21, 2015

dissabores *




todos temos. quem não. e quem não, por certo os há de ter, e muitos. falo de cátedra. porém, por mais fútil que possa parecer, entre os muitos que tive, e olhe que não foram poucos, poucos se comparam ao de sentir que o gostinho do toddy mudou. ali compreendi que não haveria mais criança em mim e sabe-se lá que adulto sensaboria viria ser.

dizem às más línguas que as pesquisas determinaram um novo sabor. mas como? se ninguém me perguntou nada. talvez porque se sim, ouviriam um sonoro não. pra que mudar um gosto de vida assim, num lamber de beiços, só porque algum engravatado(à época) teve a infeliz ideia de propor a mudança, por motivos de que somente alguém que teve uma mãe que por certo não lhe deu toddy haveria de achar? que saberia este sujeito de toddy? e do que aquilo significava para nós? nada. não sabia nada. e foi um nada que nos deixou com o gosto de nada na boca que jamais voltaria ser do toddy que tanto amávamos.

ah! você acha então que eu estou exagerando? que não passo de um adulto sentimental que fica chorando pelo toddy derramado? então vai conversar com a turma que tomava ovomaltine e de súbito se viu sem o sabor suíço que era "puro malte". mas não diga que é um cara ou uma cara da pesquisa. o risco de ficar sem sentir sabor é imenso. brutal? bom, foi o que fizeram com a gente. sem dó nem piedade. deram um nó na nossa garganta, a tal ponto, que falou em achocolatado, eu engulo em seco. e nada mais que que se compare ou pareça com toddy desce. 

o certo é que, alguns dissabores a gente esquece. outros, morremos com eles atravessados na garganta.

p.s. felizes foram os putos(as crianças) de portugal. lá o sabor do toddy que valia a pena resistiu até os anos 90. quando lá fui, e lá morei, antes do vinho, e de qualquer outra coisa, bebi todo o toddy que podia até não poder mais. uma overdose de toddy que durou anos e anos. até mesmo quando voltei ao brasil carregado de toddy nem um pouco preocupado em ser pego pela fiscalização. o problema é que fui. e na minha cara vi um sujeito da tal fiscalização pegando a lata com olhos marejados e dizendo, anda passa, vai em frente, como se não houvessem dezenas dela nas minhas malas. passei. e fui-me embora. não sem antes, separar algumas latas, e com um bilhete deixá-las para serem entregues ao tal funcionário. creio que assim não haveria risco de alguém dizer que subornei a fiscalização. afinal, passara e nada foi combinado. no bilhete estava escrito: - nestas não há coleção de índios. tinha certeza absoluta que ele saberia do que estava tratando. e assim, mais um sabor juntar-se ia ao meu dissabor que por alguns anos foi dissipado em goles e goles intermináveis do "sabor que alimenta" meus bons gostos até hoje, apesar do enorme dissabor do acontecido. tal como os índios, eu e o tal cara da fiscalização, fomos derrotados pela ferocidade da sede de lucros do homem branco cujo sabor que sacia por certo não é do toddy de antigamente.

                                  


* originalmente publicado no misterwalk.blogspot.com

Sunday, August 03, 2014

o zumbido homicida ou mais ou menos um filho da puta metido a escritor

tiros na vizinhança. mataram alguém. uns gritam outros sussurram. na minha cabeça zumbido da dúvida cruel: um filho da puta a mais ou um filho da puta a menos? deixa estar, qualquer que seja a conta, o mundo já tresanda além da conta com o mais ou menos destes filhos da puta. (originalmente publicado no guardanaposdescriturario.blogspot.com)

Sunday, October 06, 2013

é como vovó já dizia


olhos marejados, minha vó olhou para suas pernas marrons de erisipela e disse-me num tom de tristeza que não saberia anos a quantos iria me marcar: -  estas pernas já foram tão bonitas.

anos passados, olho as minhas. e compreendo algo do todo que me escapou naquele dia, muito embora levemente sentisse o peso, não sei se das palavras ou das pernas.

sei hoje que não era de estética que minha vó falava. era das sombras da morte; que já lhe subiam por entre as veias dilatadas para nunca mais voltar.

que será da minhas, já que nem posso aguar que já foram belas.

Sunday, June 02, 2013

tardes de alpendre

do meu casebre, de contas pagas, banhos frios, e moedas catadas nos forros das bermudas, eu observo os condomínios de carnês e as mansões de prestações, com suas guaritas e outras mazelas. nelas, passarinhos e outros animais de duas ou mais patas que lá vivem, vivem escravos as gaiolas que cada vez mais se tornam alçapões.

no meu casebre, não existem gaiolas. passarinhos e animais de todo o tipo entram e ficam à vontade e assim também se sentem para ir embora. enquanto não, dividimos migalhas de pão. juntamente com a brisa, uns assobiam, outros latem, outros miam, outros simplesmente espreguiçam,a canção da liberdade que eu tento não desafinar com meus assobios que riem do meu bico.

Monday, July 09, 2012

almoços de domingo


já algum tempo, nos domingos, almoço em paz. mcchickens. genérico que seja ou original. e pronto. de sobremesa, café em copo e vontade de fumar. antes da saída, em meio as meias mordidas, altura em que me lembro odeio maionese, de soslaio miro a testa franzida das atendentes e cozinheiras que penso em reclamações - me consegue um pouco mais de ketchup ou vai dizer que só tem mostarda? - não sei contentes em trabalhar aos domingos. também dariam graças a deus? que elas complementam com muito sachês de molho fora, aquele filho da puta, de trabalhar aos domingos para não ter de almoçar em casa? 


domingos tem um certo ar de prisão após a revista da semana. foram-se as armas e as drogas. resta o almoço em família para a gente se embriagar de crime. de sobremesa o faustão. a sorte é que a pena não é perpétua. mas é longa como o crochê das mágoas da vovó sobre as memórias do vovô que enfezado se mandou de casa e foi morrer de infarto num puteiro enfiado em pleno cu de uma adolescente. o retrato do meu vô foi retirado então da parede e naquele exato lugar ficou a marca, onde o bolor do mofo lembra o esperma da vida que ele despejou fora para não morrer ensimesmado dentro de casa como paio, um chouriço, outra denominação. as sobras das conversas do almoço de domingo todo mundo já sabe como reaproveitar. são servidas fritadas ao azedo que requentadas podem durar até a terça feira. isso se as vizinhas não aproveitarem o óleo para feitura do empadão de galinha com o destino de suas filhas, que diga-se de passagem são uns cu de bostas. 


almoço fora agora todos os domingos. mas do empadão ou da fritada, elas não escapam. nem eu. nem você. 

Saturday, March 31, 2012

anti morten

a morte já me cutucou com pressa.como destesto que me conduzam pelo ombro, refilei: dá licença de eu dar uma espreguiçadela diante da vida?

Saturday, March 24, 2012

o onanista

por acidente, tragédia, dor de barriga ou vento encausado. caiu, tombou, morreu. ai logo vem unzinho qualquer e diante do cadáver sussura para o próximo do lado: a morte é feia.

quem disse? quem viu? quem fuçou a cara da dita cuja pra fazer tamanha afirmação? quem o fez não disse nem que sim, nem que não. tava de sacanagem? vai lá se saber. mas é fato de quem viu não disse nada. mesmo os suspeitos que dizem que foram e voltaram. falam de luz no fim do túnel. mas desde quando luz no fim do túnel é a cara da morte? l uz no fim do túnel é a cara do dois irmãos.

porra, mas que mania de dizer que a morte é feia; quando o que e feio é o presunto ou a presuntada. comigo não rola esta história. quer saber, pra mim a morte não é feia não. acho que rola qualquer coisa nem que seja de coxas finas, cotovêlos limpos, nariz discreto mas empinado. qualquer coisa de beleza num certo mistério que quase todo mundo vê como história de terror mas que como toda história de terror toda a gente tem curiosidade de saber qual é. mas ninguém quer enfrentar assim de peito e olhos abertos. e muito menos de braguilha aberta. deveriam? sei lá, cada um é cada um, e cada um tem a sua morte pairando sobre a cabeça nos assuntando feito largatixa. e de vez em quando, ela aciona o bodoque. nós não já fizemos isto com elas quando crianças?


não fico em cima do muro. não acho que a questão seja urtiga. questiono, ah! questiono sim, que a morte seja feia ou tão feia assim. ainda vou tirar a dúvida. mas não tenho pressa. quer dizer, acho que ela é que não tem, ainda. temos outras prioridades ao que parece.

mas cá pra nós: duvido que, seja qual for a cara dessa dona, ela não valha uma punheta.
se não, porque será que todo mundo que tem pau, quando morre, morre de pau duro? 
a morte nós dá uma bolinada antes de nos botar de pés juntos? é um ocaso a se pensar. e ai vem o meu único receio: que nesta posição ela me aperte os ovos enquanto possa ainda tê-los.





 

Friday, March 16, 2012

replay
















mal acordou e mandou bala na família. sobrou pra diarista e vizinha abelhuda. pro gato banguela, passarinho bicudo e cachorro lelé. depois foi ver tv e ficou puto: noticiário andava muito violento.

Thursday, February 16, 2012

toco em papo babaca de arquiteto


- eu quero ser o niemayer das tuas curvas, sussurou o arquiteto formado em escola de bola fora.

ela deu de ombros e retrucou. - arquiteto? você também? então devia saber que niemayer não é nem um pouquinho funcional. é mais ou menos como você.

- olha bem para o monumento aqui, não perdeu a chance de cravar mais uma na testa.

menos, menos. parece bonito por fora mas em matéria de interiores não serve nem pra metralha.

e dito e feito, a mestre de obras voltou ao traçado original do seu trabalho..

Sunday, January 29, 2012

coisa de pobre ou deslize reacionário

mamãe! quando eu crescer quero ter um câncer! exulta o piá, o guri,o curumim,o pirralho, o puto,o moleque, para espanto da mãe que se pela em deus, na periferia de são paulo.

mas só se for para ser tratado no sírio, arremata; para alívio materno que solta a respiração enquanto concomitantemente afaga os cabelos em pûs daquela criaturinha abençoada.

(deus que tudo assiste, não é assim que dizem os pastores? conclui então que aquele espectro de homem, com braços e pernas em constantes saltirares estroboscóspicos decididamente vai longe - um dia ainda acaba presidente, ventila a possibilidade garatujando no bloco de anotações). 

e a vida segue adiante. o menino esfregando melecas na parede lustrando as cerâmicas. o deus dos tornados, que sequer imaginamos em senões assim tão faceiro, dá mais dois passos adiante, cuspindo catarro no tietê para não se mostrar impressionado com a visão de futuro que aquela alma ainda em pimbolim tem da epifania em sociedade.


Sunday, December 11, 2011

cigarro e gordura não combinam


cruzou o salão de dança, como se fosse em direção a marca de um duelo. dava-se para ouvir o coração em esporas. do outro lado, ela, envolta em fumaça do seu cigarro esfumaçante soprado pelos lábios incrustados no rosto de movie estar. vestido verde pistache, olhos de azeitonas pretas e pele de alabastro.

tinha certeza, ele, que ela o havia olhado algumas vezes. tomou coragem e foi lá. não é a atitude que importa?, então nem esmerilhou-se no que dizer, pediu um cigarro e aguardou a resposta para entabular a conversação. ela, soprou-o nos olhos e foi categórica: - desculpe, mas eu não fumo.

como saber onde se meteu naquele exato momento? tudo ardia nos olhos. não se lembraria de mais nada por um tempo quase infindável. se deu a volta, se foi ela que saiu. lembra apenas de fumaça, muita fumaça embaçando a vista do rosto que desapareceu e ficou entranhado junto com a fumaça na epiderme.

fogo-fátuo aquele rosto sempre a sumir e aparecer por entre a fumaça. e por ela haveria de surgir, dizia a si mesmo, crente-tolo, mendigando vingança. um dia apareceria. teria de aparecer. e quem sabe, se perguntasse? lembra de mim? de uma só tragada não hesitaria dizer: desculpe, mas eu não como, nem nunca comi comida gordurosa. e assim, dito e feito, jamais aconteceu. ela continuou envolta envolta na fumaça que a tornara inacessível mas somente àqueles que dizem que cigarro não combina com gordura.

Wednesday, January 12, 2011

axé demais até pras minhas veias


- um beijo no seu coração, disse ela.
- putz! que raios de pessoa manda um cumprimento destes? este eufemismo de cuspe nas minhas artérias eu dispenso. gente assim é capaz de entupir coronárias como se estivesse praticando yoga. e assim, dito e sêco, mandei-lhe a puta que a pariu!
quer me beijar pôrra! beija na boca, no mamilo, na ponta do meu cacete. agora no coração é os escambau!

Wednesday, November 24, 2010

psiu!


um tiro na testa e tombo. o coração nem disparou pego de surpresa. o amor quando finda é como arma equipada como supressor. ninguém viu, ouviu ou sabe do que era destino certeiro.

Tuesday, August 05, 2008

exame ótico

apontou a placa e perguntou qual a primeira letra da fila. ele, cego de paixão, respondeu a de amor.

estava mesmo precisando de óculos. seu amor traíra enxergava outras possibilidades justamente com o oculista.

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Now playing: nuno mindelis - iberic blues
via FoxyTunes

Saturday, January 27, 2007

revisão pra lá de ortográfica

neste exato momento e por um bom tempo, estamos em fase de pesquisa e reedição dos textos. voltaremos sim. mas vai demorar um pouquinho. espero que você me espere com eu espero lhe ter de volta.

Friday, January 19, 2007

de calado baixo ou navegar não é preciso

a vista da orla de fortaleza é deslumbrante principalmente para quem chega por mar. o por do sol idem. nem precisa ser visto da ponte dos ingleses, inebria. não se sabe a hora, mas o certo é que numa manobra padrão, alguém entrou em êxtase. e encalhou o cargueiro de frente para a praia fugindo a raia da barra. também não se sabe por descuido, motivado por tal inebriação. ou, indo mais além, propositadamente. quem sabe para curtir o visual de um ponto de vista ainda mais privilegiado. o barco agora não sai. encalhado, dá nas vistas na praia cheia de vistas. a tal imperícia custa caro. mesmo que alivie-se a carga, e que venha a maré de janeiro, dali só se arranca o cargueiro, com a ajuda do rebocador que está vindo do rio também de janeiro. a passos de tartaruga vem o rebocador, uma espécie de popeye dos barcos, cuja função é retirar os "brutos" da enrascada em que se meteram. a história é real é acontece agorinha mesmo numa praia de fortaleza que não cito o nome, para não dar margem a outros encalhes. cargueiro, beleza, inebriação, mar, encalhe, pequenos fortes, grandes entalados, ou melhor encalhados, fortaleza. palavras, estados e situações com vários significados e significantes. creio que nem você nem eu precisamos estar encalhados e ou inebriados para fazer ilações e ou analogias com o que fazemos do nosso barco(cargueiro ou rebocador?)quando inebriados ou simplesmente cansados, preferimos a visão do encalhe a modorrenta postura de estar simplesmente atracados a um bom porto. muita gente, é verdade, nem precisa encalhar para se dar conta de que está prestes a partir ao meio ou a partir do meio. outros,eternamente encalhados, principalmente, onde não há belas orlas de por de sóis inebriantes, choram a falta do cais. entre um e outro a maior parte das gentes, não dos barcos, à deriva ou contemplativa. talvez mais dos barcos que encalham dos que chegam ao porto. eu olho pra mim e vejo-me um rebocador. quiçá de mim mesmo. reboca-dor? sim. pequeno que baste para não encalhar. nunca grande para merecer algo mais que um beirada de porto: ´quela onde também fica a maior parte do lixo que se acumula no cais. sempre lembrado pela força e utilidade. mas só nas situações de encalhe. nunca para simplesmente tornar-me, a mim, o rebocador, cargueiro dos pores de sol inebriantes na orla deslumbrante da praia da minha fortaleza que anda rasa de encalhes d´outros portes.

Sunday, January 07, 2007

método de criação

faltaram-lhe idéias.
isso já acontecia há mais de uma semana.
logo com ele, um criador de bom tamanho.
inimaginável até em ficção.
mas não contava, o vácuo, com a sua última sacada.
detonou o 38 por debaixo do queixo.
pronto, foi idéia pra todo o lado, aos montinhos.
recomenda-se não copiar-lhe o método.
a criação ainda assim, dizem os maus vivos, não valeria a pena.